Nós, trabalhadoras e trabalhadores técnico-administrativos em educação, reunidos na assembleia de greve da categoria técnico-administrativa da Universidade Federal do ABC (UFABC) no dia 28 de maio de 2026, manifestamos nosso total e irrestrito apoio à greve geral, à rebelião camponesa e à luta dos povos na Bolívia. Ao mesmo tempo, repudiamos veementemente a escalada de violência e a ameaça de massacre orquestradas pelo Estado burguês boliviano.
Ao construirmos a forte greve nacional da base da FASUBRA pelo cumprimento integral do Termo de Acordo de Greve de 2024, em defesa da educação pública, da recomposição orçamentária e da valorização da nossa carreira, temos a clareza de que nossa mobilização tem problemas comuns. A nossa greve no Brasil e a rebelião popular na Bolívia compartilham a mesma raiz: a ofensiva brutal do capitalismo imperialista.
A mesma lógica capitalista que impõe o desmonte dos serviços públicos, o arrocho salarial e a precarização das nossas vidas aqui no Brasil é a que alimenta a opressão imperialista que neste momento exige sangue, saqueio de riquezas e submissão total dos povos na Bolívia para garantir os lucros de latifundiários, de grandes empresários e de multinacionais. Somos o mesmo conjunto de explorados que vivem do trabalho, enfrentando os mesmos senhores.
Diante do alerta emitido pelos trabalhadores bolivianos, denunciamos a grave ameaça fascista e imperialista em curso no país vizinho:
– O Avanço da “Licença para Matar”: Para salvar seu próprio mandato e proteger os interesses da elite, o presidente Rodrigo Paz cedeu o controle ao aparato repressivo. O parlamento revogou a Lei N.º 1341 de 2020, conhecida como Lei Eva Copa, manobra que concede ao governo o poder de decretar Estado de Sítio e colocar as Forças Armadas nas ruas sem restrições. Essa revogação exime policiais e militares de responsabilidade criminal, dando-lhes carta branca para atirar e afogar em sangue a greve geral e os bloqueios populares. Ressalta-se que, no Brasil, o uso indevido do excludente de ilicitude para as forças de repressão também é uma bandeira do bolsonarismo.
– A Ingerência do Imperialismo dos EUA: O Departamento de Estado norte-americano já anunciou “apoio logístico” para blindar o seu governo fantoche na Bolívia, integrando-o ao chamado “Escudo das Américas”. O imperialismo atua ativamente para esmagar a soberania e a rebelião dos explorados.
– A Ameaça das Gangues Fascistas: Repudiamos a postura do Comitê Cívico de Santa Cruz, que exige o massacre dos trabalhadores sob a ameaça de colocar suas próprias milícias fascistas nas ruas caso o governo não aja com “mão firme”.
Neste momento de ataque iminente, a assembleia sindical da categoria técnico-administrativa da UFABC reafirma que a greve é a nossa ferramenta mais poderosa. Saudamos a organização da resistência nacional boliviana, encabeçada pela Central Operária Boliviana (COB) e pelas federações camponesas.
Somente a unidade dos trabalhadores do campo e da cidade, superando as fronteiras nacionais e unificada sob um projeto político independente, será capaz de derrotar os governos de plantão, a barbárie fascista e a exploração do capitalismo imperialista.
Viva a greve geral e a resistência do povo boliviano!
Não à repressão estatal e fora imperialismo da América Latina!
Viva a greve nacional dos TAEs e da FASUBRA!
São Bernardo do Campo, 28 de maio de 2026.
Assembleia de Greve do SinTUFABC



