Moção de Repúdio e Solidariedade: Contra a Truculência Policial na USP e em Defesa da Autonomia Universitária

O SinTUFABC (Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais do ABC) vem a público manifestar seu profundo repúdio à criminosa operação policial realizada na madrugada deste domingo (10/05) contra os estudantes em ocupação na Reitoria da USP. Como trabalhadores da educação federal, não podemos nos calar diante da imagem de cassetetes e bombas substituindo o diálogo e a democracia no chão da universidade pública.

É inadmissível a postura da Reitoria da USP que, sob a gestão de Aluisio Augusto Cotrim Segurado, optou por rasgar o princípio da autonomia universitária. Ao planejar e autorizar a entrada da Polícia Militar no campus, o reitor não apenas se esquivou de sua responsabilidade política de negociar com a comunidade estudantil, como também atuou como cúmplice da violência do Estado. A ação, covardemente executada às 4h da manhã, madrugada do Dia das Mães, para evitar a mobilização de apoio, é própria de regimes autoritários que a universidade brasileira lutou tanto para superar.

Denunciamos o caráter fascista da gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos). O uso desproporcional da força, com relatos de “corredor polonês”, agressões físicas que resultaram em fraturas, uso de gás e bombas, além do cerco com corte de água e luz,  demonstra que este governo trata a educação e o movimento social como inimigos a serem abatidos.

A ação é repleta de ilegalidades: foi realizada sem determinação judicial e em horário vedado pela lei para reintegrações de posse. A tentativa da Secretaria de Segurança Pública de criminalizar o movimento, plantando narrativas de danos ao patrimônio para justificar o injustificável, é uma tática velha e gasta da repressão.

O SinTUFABC se solidariza com cada estudante agredido, ferido e detido nesta madrugada. A luta dos estudantes da USP por melhores condições de permanência e por uma universidade pública, gratuita e de qualidade é a mesma luta que travamos também aqui na UFABC e em todo o país. Quando o Estado entra com armas em uma universidade para calar quem reivindica direitos, toda a classe trabalhadora é atingida.

Exigimos a imediata apuração dos excessos cometidos e a responsabilização política e administrativa do Reitor Aluisio Segurado e do Governador Tarcísio de Freitas. A autonomia universitária é inegociável!

Fora a PM do Campus! 

Pelo fim da criminalização dos movimentos sociais! 

Toda solidariedade à juventude que luta!

São Paulo, 10 de maio de 2026.

Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais do ABC (SinTUFABC)

Comando Local de Greve (CLG) – UFABC