Por que devemos lutar contra a escala de trabalho 6×1?
Lutar contra a escala 6×1 é lutar por dignidade, saúde integral e pela vida!
O fim da escala 6×1 está em pauta em todo o país e é a principal reivindicação levantada no Dia Internacional dos Trabalhadores de 2026. Essa escala representa quem trabalha por seis dias consecutivos e folga um único dia na semana e atinge cerca de 14 milhões de trabalhadores brasileiros, principalmente dos setores do comércio, serviços e saúde. A 6×1 reflete a essência do próprio sistema econômico capitalista que é, na verdade, uma máquina de moer gente.
Jornadas extenuantes, que se somam a deslocamentos longos de ida e volta ao trabalho, em cidades como as da região metropolitana de São Paulo podem chegar a 2h ou 3h por trajeto. Essas pessoas, ao chegar em casa, sobretudo as mulheres, ainda precisam enfrentar a rotina com o trabalho doméstico, de limpar, lavar, cozinhar e cuidar. Não resta, portanto, tempo para descanso, estudo e lazer.
A luta contra a escala 6×1 é parte da luta histórica pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial e em defesa da divisão das horas de trabalho entre todas as pessoas aptas a trabalhar. Trata-se de um passo significativo na história da luta de classes brasileira, tendo em vista que a última redução de jornada aconteceu em decorrência da implementação da Constituição Federal de 1988, fortemente influenciada pela luta operária que derrubou a ditadura do período anterior.
Segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), os profissionais com jornada de trabalho de 44 horas semanais (escala 6×1) recebem salários 57,7% menores, em média, quando comparados com os que trabalham 40 horas semanais. Com a sobrecarga de trabalho e os baixos salários, a vida é cada vez mais difícil para os trabalhadores. Hoje, a cada dia, mais de mil pessoas se afastam do trabalho em virtude de doenças mentais. Só no ano de 2025 foram registrados quase 400 mil afastamentos por mais de 15 dias em postos de trabalho.
A redução da jornada de trabalho tem como objetivo também a redução do adoecimento físico e psíquico, sobretudo doenças ocupacionais, aumento da valorização e produtividade das pessoas trabalhadoras, melhor conciliação da vida pessoal e profissional, maior tempo livre, maior geração de empregos, redução de rotatividade e tantas outras que observamos cotidianamente.
Na Universidade Federal do ABC (UFABC), em diversas áreas terceirizadas as pessoas contratadas possuem jornada de trabalho de 44 horas semanais e atuam na nefasta 6×1. A terceirização expõe, dentro das universidades, a precarização e a desigualdade das relações de trabalho. Para que possamos avançar em um projeto de educação em que a comunidade possa de fato ocupar os diferentes espaços, acessos e oportunidades que a instituição oferece e que cumpra o desafio de ser democrática e popular, um passo fundamental é acabar com a escala 6×1, reduzindo a jornada de trabalho, sem redução salarial e abrindo o caminho para a proposta de uma escala 4×3.
Por isso, convidamos a todas as pessoas da comunidade a apoiar o fim dessa escala desumana na UFABC e exigimos que a gestão faça imediatamente os estudos dos contratos atuais para a redução da jornada sem redução salarial, de todas as pessoas terceirizadas na Universidade. Que se instale cronograma e prazos para que se cumpra e efetive esse direito.
Organize essa luta coletivamente! Apoie, mobilize as pessoas pelo fim da 6×1 na UFABC!
Pela redução de jornada sem redução salarial na UFABC. Assine este manifesto de apoio!


